Estudo questiona a soberania total em IA e defende cooperação para reduzir dependências.
O estudo analisa o avanço da “soberania em IA”, conceito associado à capacidade dos países de tomar decisões independentes sobre infraestrutura, dados, modelos e adoção da inteligência artificial. As motivações incluem segurança nacional, competitividade econômica, resiliência e preservação de idiomas, culturas e valores locais. O relatório, porém, alerta que essas estratégias também podem estimular protecionismo, fragmentação de mercados e investimentos públicos pouco eficientes.
A principal conclusão é que uma soberania completa em IA é praticamente impossível. A cadeia tecnológica depende de recursos distribuídos globalmente, como minerais críticos, energia, semicondutores, data centers, redes, dados, modelos e profissionais especializados. O estudo mostra que até as maiores potências possuem vulnerabilidades e dependências externas, tornando inviável controlar domesticamente todas as camadas da chamada “AI stack”.
Como alternativa, os autores propõem a “interdependência gerenciada”, na qual soberania significa ter maior capacidade para definir e administrar as próprias dependências, e não buscar autossuficiência. Na prática, isso envolve mapear pontos críticos da cadeia, diversificar fornecedores, criar redundâncias, estabelecer parcerias internacionais e ampliar interoperabilidade e portabilidade por meio de padrões abertos e arquiteturas compatíveis.
O relatório também destaca que cada país deve concentrar investimentos nos pontos em que possui vantagens competitivas reais, priorizando aplicações e usos locais em vez de tentar reproduzir toda a infraestrutura global de IA. Ao mesmo tempo, alerta que a busca por soberania precisa respeitar direitos e instituições democráticas, evitando que o conceito seja utilizado para justificar vigilância, censura ou maior controle estatal sobre a tecnologia.
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