Capacidades de inovação definem a competitividade global em 2026
O estudo Innovation Capabilities Outlook 2026, da WIPO, analisa como os países desenvolvem e combinam capacidades de inovação em quatro dimensões: ciência, tecnologia, empreendedorismo e produção. O relatório mostra que a inovação global continua muito concentrada: um pequeno grupo de economias lidera a maior parte das publicações científicas, patentes, marcas e exportações avançadas, enquanto muitos países ainda têm participação inferior a 1% em qualquer uma dessas dimensões.
Um dos principais achados é que a inovação não depende apenas de avanços isolados, mas da conexão entre diferentes capacidades. Ecossistemas mais maduros conseguem transformar pesquisa científica em tecnologia, tecnologia em negócios e produção em vantagem competitiva. Já países com capacidades pouco conectadas podem até ter bons resultados em áreas específicas, mas encontram dificuldade para converter esse potencial em inovação de alto valor.
O relatório também destaca a ascensão da Ásia, especialmente China, Índia e Vietnã, que avançaram de forma consistente tanto na diversificação quanto na complexidade de suas capacidades. Ao mesmo tempo, muitas economias estabelecidas e emergentes enfrentam dificuldades para evoluir: 46% dos ecossistemas não diversificaram significativamente suas capacidades e ganhos de complexidade seguem fora do alcance de 70% dos países.
Por fim, o estudo aponta que existe um grande potencial de inovação ainda não aproveitado. Apenas 10% das economias realizam plenamente seu potencial tecnológico, e os ecossistemas globais deixam de gerar cerca de 339 mil inovações tecnológicas complexas por ano. A conclusão é que políticas de inovação precisam ser mais estratégicas e adaptadas ao estágio de cada região, com foco em capacidades existentes, conexões entre áreas e oportunidades de diversificação de maior valor.
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