IA já afeta ocupações expostas, mas os sinais mais claros ainda aparecem na contratação
O estudo apresenta uma nova forma de medir o impacto da inteligência artificial no trabalho, chamada “observed exposure”. Essa métrica combina o que os modelos de linguagem teoricamente conseguiriam fazer com o que já está sendo realmente usado no ambiente profissional, dando mais peso para usos automatizados e ligados ao trabalho. O principal achado é que a IA ainda está longe de atingir todo o seu potencial teórico, mas já começa a mostrar sinais concretos de impacto em algumas ocupações.
Entre as profissões mais expostas aparecem programadores, atendentes de suporte ao cliente, digitadores de dados, especialistas em prontuário médico, analistas financeiros e profissionais de segurança da informação. O estudo também mostra que ocupações com maior exposição tendem a ter projeções menores de crescimento até 2034, segundo dados do Bureau of Labor Statistics. Ao mesmo tempo, os trabalhadores mais expostos costumam ser mais velhos, mais escolarizados, mais bem pagos e com maior presença feminina.
Apesar disso, os autores afirmam que ainda não há evidência sistemática de aumento do desemprego entre os profissionais mais expostos desde o fim de 2022. Os dados de desemprego permanecem relativamente estáveis quando comparados aos grupos menos expostos, o que sugere que os efeitos mais amplos da IA sobre o emprego ainda não se tornaram claros no curto prazo.
Onde surge um sinal mais relevante é na entrada de jovens no mercado. O estudo encontrou evidências iniciais de desaceleração nas contratações de trabalhadores de 22 a 25 anos em ocupações mais expostas à IA, com queda média de 14% na taxa de entrada em novas vagas após o lançamento do ChatGPT, embora os autores tratem esse resultado com cautela. A conclusão é que a IA ainda não provocou uma ruptura visível no emprego, mas já pode estar alterando a dinâmica de contratação em áreas mais suscetíveis à automação.
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